quarta-feira, 10 de abril de 2013

Tensão entre Coreias atinge mercado financeiro e pode afetar economia global

Bolsa sul-coreana despencou quase 4% no acumulado da semana e temor é que novas quedas aconteçam nos próximos dias. A frágil situação da economia global pode antecipar os problemas para diversos países.

Com o aumento da tensão entre as duas Coreias, o vice-ministro das Finanças sul-coreano, Choo Kyung-ho, advertiu nesta sexta-feira que o impacto nos mercados financeiros poderá ser prolongado. Ele prometeu, porém, tomar medidas rápidas e fortes para estabilizá-los, se necessário.
"No passado, (os mercados) se recuperaram rapidamente do impacto de qualquer evento relacionado à Coreia do Norte, mas as recentes ameaças do país são mais fortes e o impacto pode, portanto, não desaparecer rapidamente", disse Kyung-ho.
Ele fez a declaração na abertura de uma reunião com outros funcionários de agências relacionadas à economia para discutir possíveis medidas a fim de garantir a estabilidade dos mercados, que até agora se mantiveram relativamente calmos.
O principal índice da bolsa de Seul (Coreia do Sul), o Kospi Composto, caiu 1,6% nesta sexta-feira, somando 3,9% de queda em cinco pregões, enquanto o won (moeda local) perdeu 1,1% no período. Ações de montadoras lideraram as perdas em Seul devido a um grande recall de veículos da Hyundai Motor e da Kia Motors nos EUA. As montadoras também foram prejudicas pelo enfraquecimento do iene, causado após o anúncio do programa de política monetária do Banco do Japão. A Hyundai perdeu 4,4% e a Kia, 4,7%, respectivamente, nesta sexta-feira.
O diretor executivo da General Motors (GM), Dan Akerson, afirmou nesta sexta em entrevista ao canal de TV CNBC que sua companhia está fazendo planos de contingência para manter empregados das plantas da Coreia do Sul em segurança e que, se a tensão aumentar mais, a tendência é que a GM pense em transferir a produção para outra localidade. "Se algo acontecer na Coreia, isso impactará toda a indústria, não somente a General Motors", disse Akerson.
A tensão entre os dois países não é novidade, persiste há décadas e o mercado financeiro já vem incorporando esse risco. Contudo, o estranhamento está mais forte agora, especialmente depois que Kim Jong-un foi eleito líder do país (2011) e após os Estados Unidos aprovarem sanções contra a Coreia do Norte depois de seu teste nuclear em fevereiro de 2013. Se a situação piorar ainda mais, analistas estimam que não só o mercado coreano, mas a economia global como um todo, poderá ser afetada, o que teria consequências ruins dada a frágil situação atual. Ou seja, é um entrave adicional num momento inoportuno.
"Os norte-coreanos agora estão usando a propaganda em sua forma mais extrema para tentar atingir o investimento estrangeiro direto da Coreia do Sul", disse Tom Coyner, membro da Câmara de Comércio Americana na Coreia do Sul.

Acesso em 10/04/2013. Disponível em http://veja.abril.com.br/noticia/economia/tensao-entre-coreias-atinge-mercado-financeiro-e-pode-afetar-economia-global?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Mantega minimiza inflação e afirma que preço dos alimentos irá cair

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, minimizou nesta quarta-feira, em Brasília, o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA - que mede a inflação oficial) que registrou em março 6,59% no acumulado de 12 meses, estourando assim o teto da meta do governo, de 6,5%. Para Mantega, o resultado ocorreu pela influência da alta dos alimentos, mas afirmou que essa tendência deverá se encerrar rapidamente. "As taxas agrícolas vão começar a baixar. O principal fator de elevação dos preços foi a entressafra e outros fatores sazonais".
Guido Mantega afirmou ainda que o preço do tomate - um dos vilões do resultado do IPCA de março - está muito elevado pelo regime de chuvas no País, mas que a tendência é que o preço não se mantenha nos próximos meses. O minisitro também disse que o governo não irá poupar esforços para combater a alta da inflação.
"O governo não popuará medidas para conter a alta nos preços. A boa noticia é que a inflação (mensal) de março foi menor que janeiro e fevereiro e isso confirma a trajetória de redução", afirmou.
Além disso, o ministro afirmou que o governo irá continuar com o programa de desoneração. "O programa de desonerações vai continuar para garantir a competitividade da produção brasileira. Com o custo financeiro reduzido, vamos também reduzir tributos. O cenário é favorável".
Para 2013, Mantega afirmou que o governo terá uma redução de R$ 70 bilhões, ou seja, 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em impostos, sendo que em 2014 o montante irá para R$ 88 bilhões, graças as desonerações da folha de pagamento anunciadas pela MP 612 - que abrange 14 setores da economia.
Também presente no evento em Brasília, o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirmou que a indústrias sucroalcooleira, química e têxtil poderão receber benefícios fiscais parecidos com os concendidos à indústria automobilística. "São benefícios fisciasconcedidos sem condições. Eles estão sempre ligados a meta dee eficiência, pProdutividade e manutenção de empregos. Acho que é o conjunto de normas que estamos avançando e que vai resgatar a indústria brasileira", disse.

Acesso em 10/04/2013. Disponível em http://www.jb.com.br/economia/noticias/2013/04/10/mantega-minimiza-inflacao-e-afirma-que-preco-dos-alimentos-ira-cair/

Economia digital representa 3,2% do PIB brasileiro

Segundo o relatório “Economia Digital para a Mudança Etrutual e Igualdade”, a economia digital representa 3,2% do PIB do Brasil, Argentina, Chile e México — dado que ganha importância quando comparado com a União Europeia, onde a parcela chega a 5% do PIB.
O documento é uma realização da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e foi apresentado nesta quinta-feira (4) durante a Quarta Conferência Ministerial sobre a Sociedade da Informação da América Latina e do Caribe, que terminou nesta sexta-feira (5).
A publicação faz um panorama da economia digital na América Latina e o seu potencial para alcançar um estágio econômico superior, propondo que seus países avancem para uma nova estratégia de política industrial e tecnológica, cujo centro seja a economia digital. Segundo a CEPAL, os ativos das tecnologias da informação e das comunicações (TIC) contribuíram para 14% do crescimento do PIB brasileiro entre 1995 e 2008.
O livro destaca o avanço do comércio eletrônico tanto no Brasil quanto em outros países latino-americanos. Em terras brasileiras, as visitas aos sites de compras alcançaram 91% dos usuários da internet, enquanto que a mesma taxa foi de 80% na Argentina e 72% no Chile. Para a CEPAL, estes sites requerem uma atenção especial por políticas públicas, já que atualmente sua utilização está concentrada em poucas nações.

Desigualdade entre classes sociais é alta

A publicação ressalta que na região há grandes diferenças na taxa de uso da internet por comparação entre as classes sociais. Segundo pesquisas de 2009 e 2010 com oito países latino-americanos, as classes mais ricas têm uma taxa de uso de 58%, enquanto que em relação às mais pobres é de apenas 11%. Brasil, Chile e Uruguai têm a maior taxa de acesso nas camadas com menores rendas: uma média de 20%.
Segundo a CEPAL, são componentes da economia digital a infraestrutura das telecomunicações — particularmente as redes de banda larga –, as indústrias das TIC — software e aplicativos, hardware e serviços — e o grau de alfabetização digital dos usuários.
Durante a abertura da conferência, na quarta-feira (3), a Secretária-Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, disse que a América Latina e o Caribe devem avançar da economia digital para a mudança estrutural e a igualdade.
Bárcena destacou a necessidade de promover a economia digital para impulsionar o crescimento, o que requer conjugar novas estratégias de política industrial e tecnológica e consolidar um mercado de TIC integrado no qual se incorporem todos os países, setores produtivos e segmentos sociais. “A economia digital é uma força crucial para impulsionar a mudança estrutural, avançar na redução da desigualdade e fortalecer a inclusão social que tanto necessitam nossos países”, afirmou.
A conferência aconteceu em Montevidéu, capital do Uruguai. Além de Bárcena estavam presentes também na abertura o Presidente do Uruguai, José Mujica, e o Diretor da DG CONNECT.E da Comissão Europeia, Mario Campolargo.

Acesso em 10/04/2013. Disponível em http://www.onu.org.br/economia-digital-representa-32-do-pib-brasileiro-diz-relatorio-da-cepal/

Governo lança agenda para desenvolver 19 setores da economia

A implementação de propostas para melhoria de competitividade da economia brasileira são alguns desafios previstos para as agendas estratégicas setoriais (AES) de 19 segmentos econômicos, cujas metas devem ser implementadas até o final de 2014, segundo informou nesta terça-feira o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mauro Borges.

O documento final, que contém cerca de 200 ações, será apresentado amanhã no Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), que ocorrerá às 10h, no Palácio do Planalto. Os segmentos econômicos estão organizados em conselhos de competitividade, que organizaram o debate das agendas. Esses colegiados são integrados por representantes do governo, do setor privado e dos trabalhadores. Entre os setores beneficiados estão complexo da saúde, automotivo, construção civil, agroindústria, energias renováveis, comércio e petróleo, gás e naval.

"É uma proposta de medidas para que o governo federal, na sua alçada da atribuição, determine o responsável legal de cada área. Quem vai trabalhar é governo e iniciativa privada. Um esforço será feito não só para finalizar a área de planejamento, mas a própria implementação das medidas", comentou Borges.

Segundo a secretária de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Heloísa Menezes, são compromissos que podem ser atendidos até o final do atual governo, no próximo ano. "São diretrizes que se transformaram em plano de ação, que significa que temos um rumo a seguir e, mais que isso, ações previstas de compromisso ou execução", disse.

A agenda automotiva inclui elaboração de metas compulsórias para veículos pesados e leves a serem comercializados no Brasil a partir de 2017; atualização de regulamentos e normas brasileiras sobre desempenho em ensaios de segurança de veículos com padrões internacionais; e audição e monitoramento dos produtos do regime automotivo quanto ao conteúdo nacional, entre outros.

As ações fazem parte das estratégias do Plano Brasil Maior, lançado em 2011, cujo objetivo é sustentar o crescimento econômico do país com foco na inovação e no adensamento produtivo do parque industrial brasileiro. Para Borges, esses primeiros dois anos de programa são ainda de implementação. "Ano que vem dá para ter o primeiro esforço de uma avaliação sistêmica de resultado. Até agora, o esforço é de implementação", disse. Ele destacou ainda que o plano é voltado para três grandes eixos: redução de custo dos fatores de produção, desenvolvimento das cadeias produtivas e fortalecimento do comércio exterior.

Acesso em 10/04/2013. Disponível em http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201304091814_ABR_82134004

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Tensões com a Coreia do Norte abalam a economia do Sul

A grande quantidade de ameaças da Coreia do Norte - e a correspondente demonstração de poder militar e determinação política dos Estados Unidos e da Coreia do Sul - começou a gerar sinais de inquietação nos investidores estrangeiros na última sexta-feira (5).

O aumento dessas ameaças ampliou os desafios que Seul e Washington enfrentam. As duas potências estão tentando mostrar ao jovem líder do Norte, Kim Jong-un, que não serão chantageadas por seu blefe e arrogância. Mas, ao mesmo tempo, eles não querem que as tensões cheguem ao nível de prejudicar a economia da Coreia do Sul, orgulho da população local, ou a posição política do presidente Park Geun-hye.

"No passado, eventos relacionados à Coreia do Norte a Coreia do Norte tiveram pouco impacto ou os mercados se recuperaram rapidamente", disse o vice ministro das Finanças do Sul, Choo Kyung-ho, em uma reunião de autoridades financeiras na sexta-feira. "Mas as recentes ameaças da Coreia do Norte são mais fortes e o impacto pode não desaparecer rapidamente".

Os comentários do ministro foram feitos horas depois do executivo-chefe da General Motors, Dan Akerson, ressaltar sua preocupação, dizendo que sua empresa estava fazendo planos para garantir a segurança dos funcionários em suas fábricas sul-coreanas e que, se tensões aumentarem, isso poderia levar a GM poderia movimentar a produção para outro lugar. Em entrevista à televisão CNBC, ele disse: "Se algo acontecer na Coreia, isso vai afetar toda a nossa indústria, não apenas General Motors".

As ações da Coreia do Sul caíram 1,64% na sexta-feira em uma onda de vendas entre os investidores estrangeiros que os analistas atribuíram ao nervosismo sobre a Coreia do Norte. O won (moeda sul-coreana) também caiu em relação ao dólar dos EUA.

Embora os sul-coreanos tenham se tornado quase indiferentes à retórica norte-coreana, após décadas de ameaças, eles acreditam que agora as coisas podem ficar piores, pois sua economia globalizada tem muito mais a perder do que a economia isolada e já sancionada do Norte.

"Os norte-coreanos já estão usando a propaganda de forma extrema para tentar prejudicar os investimentos estrangeiros diretos na Coreia do Sul", disse Tom Coyner, um membro da Câmara de Comércio dos EUA na Coréia do Sul e autor do livro Doing Business in Korea (Fazendo Negócios na Coreia, em tradução literal). "Eles estão, em certo sentido, vencendo em uma guerra assimétrica psicológica, atacando a força econômica da Coreia do Sul".

Autoridades do governo disseram que as tensões militares até então tinham apenas efeitos limitados sobre os mercados. Mas, para a economia sul-coreana, as ameaças da Coreia do Norte são um problema adicional em um momento inoportuno, e prometeram garantir a estabilidade, se a situação piorou.

Acesso em 08/04/2013. Disponível em http://noticias.r7.com/internacional/tensoes-com-a-coreia-do-norte-abalam-a-economia-do-sul-08042013
Mercado ajusta para 3% estimativa de crescimento do PIB este ano


Brasília - A estimativa de analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) para o crescimento da economia – Produto Interno Bruto (PIB) – este ano foi ajustada de 3,01% para 3%, este ano. Para 2014, a projeção foi mantida em 3,5%.
A expectativa para o crescimento da produção industrial foi alterada de 3,12% para 3%, este ano, de 3,95% para 3,85%, em 2014.
A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB foi mantida em 34,5%, este ano, e passou de 33,10% para 33,63%, em 2014.
A expectativa para a cotação do dólar permaneceu em R$ 2, ao final de 2013, e em R$ 2,05, no fim do próximo ano. A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) foi ajustada de US$ 12,4 bilhões para US$ 11 bilhões, este ano, e de US$ 12,65 bilhões para US$ 12 bilhões, este ano.
Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a estimativa passou de US$ 65,8 bilhões para US$ 68 bilhões, este ano, US$ 70,67 bilhões para 73,45 bilhões, em 2014.
A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 60 bilhões, neste ano e em 2014.

Acesso em 08/04/2013. Disponível em http://www.jb.com.br/economia/noticias/2013/04/08/mercado-ajusta-para-3-estimativa-de-crescimento-do-pib-este-ano/
Economia britânica mantém o selo de Thatcher

Margaret Thatcher marcou a economia britânica com um ferro indelével e a estratégia de todos os seus sucessores nos últimos 20 anos, trabalhistas ou conservadores, foi avaliada à luz da sua herança esmagadora.
O actual primeiro-ministro, o conservador David Cameron, não escapa à regra. A sua política económica, marcada por cortes drásticos, é alvo de uma pergunta recorrente na imprensa: terá sobre o país efeitos tão radicais como a de Margaret Thatcher?
O seu antecessor trabalhista, Tony Blair, no poder entre 1997 e 2007, foi igualmente incluído entre os herdeiros da Dama de Ferro, na medida em que subscreveu as grandes orientações da “revolução conservadora”, como a desregulação dos serviços financeiros ou a privatização dos serviços públicos.
Criador do New Labour, Blair levou o seu partido para o centro, aproximando-o da ideologia dos tories de Thatcher e conquistando a alcunha de “Tory Blair”, apesar de se ter distanciado da sua antecessora ao canalizar meios avultados para sectores como a saúde ou a educação.
“Gostemos ou não de Thatcher, ela mudou para sempre a economia britânica. E mudou também a forma como os britânicos pensam em dinheiro, no capitalismo e nas empresas. Cameron, como Blair, é seu herdeiro”, diz Tony Travers, professor da London School of Economics.
No momento da morte da Dama de Ferro, a sociedade britânica parece mesmo mais thatcheriana do que quando ela estava no poder, e as críticas à generosidade dos apoios sociais encontram hoje bom eco na imprensa popular.
“Somos todos filhos de Thatcher”, escrevia o conservador Daily Telegraph. Conclusão partilhada pelo jornal Guardian (centro-esquerda), para o qual “o Reino Unido está mais thatcheriano do que nos anos de 1980”.
Isso explica porque os cortes orçamentais da coligação no poder, mais duros do que os aplicados nos anos de Thatcher, não suscitaram, pelo menos para já, a revolta popular que teriam provavelmente provocado noutros países da Europa.
Apesar da sua declarada admiração pela Dama de Ferro, que recebeu em Downing Street pouco depois da sua eleição em Maio de 2010, Cameron diz incarnar um “conservadorismo com compaixão”. É uma maneira de se demarcar dos aspectos mais controversos do thatcherismo, num momento em que lidera uma coligação com os centristas do partido liberal-democrata.
Mas, ao mesmo tempo, diz querer transformar o país de maneira radical com o seu conceito de Big Society, que visa transferir o máximo de competências do Estado para a sociedade civil. Cameron prometeu igualmente relançar as privatizações, ou rever todo o sistema de financiamento das universidades. No domínio social, o seu Governo pôs em marcha reformas do código laboral sem precedentes na era de Thatcher.
Figura destacada dos anos de 1980-90, o antigo ministro conservador Michael Portillo elogiou a “vontade reformadora” de Cameron e um programa económico “pelo menos tão ambicioso como o de Thatcher”. Mas o professor universitário Tony Travers aponta diferenças: “Os apoiantes de Cameron gostariam de pensar que ele é como Thatcher, mas a verdade é que é uma personagem mais nova e mais moderna, que vive numa época muito diferente.”

Acesso em 08/04/2013. Disponível em: http://www.publico.pt/mundo/noticia/economia-britanica-mantem-o-selo-de-thatcher-1590576

Ibram aponta estagnação em investimentos na mineração

Por Olivia Alonso | Valor
 
SÃO PAULO - As estimativas de investimentos em mineração no Brasil para o período de cinco anos ficaram estáveis pela primeira vez, segundo os cálculos mais recentes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), realizados em dezembro e divulgados ontem à noite. Os aportes no setor mineral brasileiro entre 2012 e 2016 totalizarão US$ 75 bilhões, de acordo com o instituto. O número é o mesmo previsto pela entidade em maio do ano passado.

 Leia mais em:
Emprego: o fenômeno que poderia mudar o Brasil – mas não mudou

Ao apostar todas as suas fichas (políticas e econômicas) no emprego, o governo se esquece que a economia não irá a lugar algum sem avanços de produtividade.

Ana Clara Costa

Indústria de transformação: manutenção do emprego e produtividade comprometida (Marcelo Almeida/EXAME)

 
O grande trunfo dos 10 anos do PT na Presidência da República é a taxa de desemprego. Nunca ela foi tão baixa (chegou à mínima histórica de 4,6% em dezembro), nem houve década semelhante na criação de vagas: foram quase 20 milhões até o final 2012. Tal modelo de crescimento baseado na ampliação do emprego, contudo, não basta para manter o país no rumo da prosperidade. Ele traz riscos inflacionários e reduz a produtividade de diversos segmentos da economia brasileira, resultando no período de desaceleração econômica verificado atualmente. Retomar a agenda de crescimento requer medidas de urgência que, até o momento, o governo não se mostrou disposto a tomar.

 
A confortável situação do mercado de trabalho no Brasil tem dois componentes primordiais: o gasto público e o consumo. O governo aumenta seus gastos para estimular a economia, resultando na criação de postos de trabalho. A massa salarial recém-criada exerce seu poder de compra e faz girar a roda do capitalismo, criando uma espiral de otimismo e crescimento econômico - como vinha acontecendo até o início de 2011. Num mundo ideal, essa dinâmica seria acompanhada por investimentos pesados em educação e inovação, além da abertura de mercado para estimular a concorrência e melhorar, assim, a produtividade dos setores econômicos. E justamente nesta segunda etapa mora o erro do governo petista: a inovação foi relegada ao último plano ao longo da era Lula, e o protecionismo da indústria é a regra básica do governo Dilma. Assim, o emprego cresce estimulado pelo consumo, a demanda aumenta num ritmo acelerado acentuando desequilíbrios de preço – e a inflação encontra aí sua morada.

 
Recentemente, o economista e ex-ministro da Fazenda, Antonio Delfim Netto, escreveu uma análise sensata sobre a questão do emprego e o aumento inflacionário. Delfim reconheceu a dificuldade de se traçar uma relação direta entre ambos, mas afirmou que, a despeito do baixo desemprego, a economia cresce muito aquém de sua capacidade, evidenciando a estagnação da produtividade. Segundo ele, tal situação se deve ao “choque de oferta da agricultura, ao evidente problema estrutural do mercado de trabalho, à mudança induzida pela taxa de câmbio no comportamento dos setores industrial e de serviços e à visível deterioração da infraestrutura que há três décadas esteve abandonada”.


Ao apostar todas as suas fichas (políticas e econômicas) no emprego, o governo se inspira de forma desmedida no keynesianismo. Pai da teoria desenvolvimentista, o economista britânico John Maynard Keynes defendia a intervenção do estado na economia, por meio do estímulo direto ao emprego, como saída para situações de recessão. Para Keynes, o empurrão do governo à criação de vagas faria o setor privado aumentar seu nível de confiança na economia e investir mais para atender a demanda formulada artificialmente pelo setor público. Desta forma, acreditava o britânico, os gastos com tal medida se converteriam rapidamente em ganhos devido ao crescimento econômico.


A presidente Dilma tem chancelado tal modelo, sobretudo nas muitas vezes em que criticou a chanceler alemã Angela Merkel por sua truculência ao exigir duros ajustes fiscais de países europeus em crise. O ministro da Educação e articulador político de Dilma, Aloizio Mercadante, reafirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o caminho do aperto fiscal na busca por crescimento não é o mais adequado, na avaliação do governo. "O mundo está buscando competitividade, aumentando o desemprego e arrochando salário. Nós estamos buscando um caminho alternativo", disse.

 
Contudo, hoje, é ponto pacífico entre economistas – mesmo de escolas divergentes - que o aumento salarial causado pela forte criação de vagas precisa vir acompanhado de melhoria na produtividade, para não inviabilizar a competitividade industrial. Afinal, todo produto manufaturado no Brasil tem intrínsecos em seu custo altíssimos impostos – sobretudo trabalhistas -, infraestrutura sofrível e baixa qualificação de mão de obra. Como as melhorias na produção não ocorreram no ritmo e teor necessários, o cenário é alarmante. A evolução da produtividade por trabalhador entre 1996 e 2003 estava negativa em 2% na indústria de transformação. Entre 2003 e 2009, essa queda se ampliou para 10,3%, segundo dados presentes no estudo Uma história sobre dois países, elaborado pelos economistas Marcos Lisboa e Samuel Pessoa.


Portas fechadas - A abertura de mercado tem papel essencial nessa dinâmica. Conforme explica o economista Paulo de Tarso Almeida Paiva, professor da Fundação Dom Cabral e ex-ministro do Trabalho do governo FHC, a importação de tecnologia é essencial quando a capacidade de inovar de um país não é suficiente para melhorar sua produtividade. E o governo desestimula tais ganhos ao impor políticas protecionistas ao país para proteger justamente o emprego, como ocorre no setor automotivo, em que montadoras que não produzem localmente estão sujeitas a altíssima carga tributária. “A nossa capacidade de inovar gerando tecnologia própria é muito baixa. E quando se abre o comércio, importa-se o produto, a tecnologia e se ganha em produtividade”, explica. Paiva também cita o exemplo automobilístico para comparar o desempenho do Brasil com países asiáticos. “O setor sempre foi alvo de estímulos, mas o Brasil não conseguiu se reafirmar, não criou tecnologia própria nem marca própria, como fizeram China e Coreia”,afirma.

 
Setores mais expostos à concorrência internacional, como a agricultura, tendem a ser mais produtivos. O agronegócio brasileiro foi estimulado da maneira correta por meio de uma política pública criada ainda na era Geisel que previa a autossuficiência do país na produção de alimentos. Com a criação da Embrapa e o sucesso de suas pesquisas, o Brasil conseguiu atingir alto nível de produtividade adaptando insumos trazidos do exterior a condições climáticas nem sempre favoráveis. Atualmente, o país é o segundo maior exportador agrícola do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.


Inovação- Com razão, o governo brasileiro tem o hábito de culpar os baixos salários chineses pela grande competitividade de seus produtos manufaturados, como carros – mas peca ao desconsiderar os investimentos incomparáveis em inovação feitos pelo país asiático para chegar ao nível de produtividade que tem hoje – a China está em 29º lugar no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial, enquanto o Brasil está em 48ª posição. Em 1987, o economista americano Robert Solow ganhou o Prêmio Nobel de Economia por sua teoria de que grandes saltos civilizatórios eram decorrentes de investimentos pesados em inovação e qualificação da força de trabalho – e não apenas devido ao consumo das famílias, como parece crer o núcleo econômico petista.


A construção civil é um claro exemplo de avanço do emprego e dos preços devido ao aumento do consumo – e não da inovação. A expansão do crédito, a estabilidade econômica e o mercado de trabalho aquecido foram os grandes pilares de crescimento do setor imobiliário. Diante de tal aceleração, a oferta de trabalhadores se tornou escassa. Com isso, os salários pagos neste segmento tiveram reajustes fora da média - cerca de 30% nos últimos três anos, segundo o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). “Situações como essa são preocupantes. Pois a soma da valorização da moeda e do aumento real do salário que superam, de longe, a variação da produtividade do setor”, afirma o professor da FGV, André Portela Souza.

 
Restará ao Brasil a tarefa de descobrir o resultado da equação de baixo desemprego e baixa produtividade industrial. O economista austríaco Friedrich Hayek, grande opositor às ideias de Keynes, sugere um fim pouco otimista para situações aparentemente positivas no mercado de trabalho, como ocorre no Brasil. Hayek argumenta que os sucessivos aumentos salariais que excederem os aumentos de produtividade afetarão a demanda – e, consequentemente, a inflação. Segundo ele, quanto mais durar a inflação, maior será o número de trabalhadores que dependerão da continuidade do aumento de preços. “Porque eles (os trabalhadores) foram levados a empregos temporariamente atrativos devido à inflação e, depois de uma desaceleração de preços, as vagas desaparecerão”. A saber, quando as vagas desaparecerem, qual será o trunfo político da vez.

Acesso em 08/04/13. Disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/emprego-o-fenomeno-que-poderia-mudar-o-brasil-mas-nao-mudou

"Bancos têm capital e liquidez para emprestarem mais dinheiro"


O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou esta terça-feira que os bancos têm capital e liquidez suficientes para aumentarem o crédito à economia, e que o rácio de transformação de 120% foi cumprido em 2012, tendo por isso saído dos memorandos.
"Os bancos portugueses têm, assim, capital suficiente e liquidez suficiente para aumentarem o fluxo de crédito à economia", afirmou Vítor Gaspar perante os deputados da Comissão Eventual para Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal, onde explica os resultados da sétima avaliação feita pela troika (composta pelo Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

O governante explicou que o rácio entre crédito concedido e depósitos (rácio de transformação) tem vindo a diminuir de forma consistente, tendo os maiores bancos portugueses tinham no último trimestre do ano passado um rácio abaixo dos 120%, que era a meta indicativa do programa e que devia ser alcançado até 2014.

Como tal, explicou o ministro, "este limite quantitativo pode cair, deixando de constar dos documentos oficiais que decorrem do sétimo exame regular", que serão conhecidos após a aprovação em Bruxelas e em Washington da sétima revisão pelos líderes europeus e do FMI.

Vítor Gaspar garantiu ainda que "no final de 2012 os bancos portugueses estavam entre os bancos europeus mais bem capitalizados" e diz que os indicadores que o Governo tem em mãos lhes permitem considerar que "já se terá verificado uma viragem em termos de crédito e de taxas de juro".


Dados dos EUA devem influenciar pregão mundial

 
As principais bolsas de valores mundiais só devem apresentar uma tendência com a divulgação de dados referentes ao mercado de trabalho nos Estados Unidos. Com isso, os índices europeus e o indicador futuro das bolsas norte-americanas operam em queda.
Enquanto isso, o índice Nikkei da bolsa japonesa encerrou em alta nesta sexta-feira com o iene perdendo valor frente ao dólar, ainda refletindo as novas medidas de relaxamento monetário anunciadas ontem pelo Banco Central do Japão (BoJ). A Bolsa de Tóquio encerrou a última sessão da semana em alta. O índice Nikkei ganhou 1,58%, aos 12.833,63 pontos.
As demais bolsas asiáticas fecharam em queda, com exceção das bolsas chinesas, que seguem fechadas por conta do feriado nacional.
Na Europa, as bolsas operam em queda acompanhando o recuo das vendas do varejo em fevereiro, especialmente na França.
Há pouco, o CAC-40, de Paris, registrava perdas de 1,53%, aos 3.669 pontos. E o DAX, de Frankfurt, desvalorizava 1,71%, aos 7.683 pontos. E o índice FTSE-100, de Londres, apresentava baixa de 1,33% aos 6.259 pontos.
Na região, o Escritório de Estatística da União Europeia, o Eurostat, divulgou que o volume de vendas no varejo na Zona do Euro recuou 0,3% em fevereiro de 2013, quando comparado com o mês anterior. Em janeiro, o indicador ficou positivo em 0,9%.
Por outro lado, o Ministério da Economia da Alemanha revelou que as encomendas à indústria alemã subiram 2,3% em fevereiro, já com ajustes sazonais. No mês anterior o resultado ficou em -1,6%.
Em Wall Street, o indicador futuro das bolsas norte-americanas aponta para uma abertura em campo negativo. Mas, investidores aguardam a divulgação dos dados referentes ao mercado de trabalho nos EUA.
Por aqui, o Ibovespa deverá acompanhar o mercado externo.
Abrindo a agenda de indicadores brasileiros, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que a produção industrial recuou 2,5% em fevereiro em relação ao mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, praticamente eliminando a expansão de 2,6% registrada em janeiro.
Por fim, no mercado de câmbio, o dólar deverá apresentar ganhos em relação às demais moedas.


Seca histórica destrói economia rural no Nordeste

A rede de proteção social que inclui programas de transferência de renda dos governos federal e estaduais tornou menos dramáticos os impactos da seca no cotidiano da população do Nordeste, mas ainda é incapaz de impedir que a economia local entre em verdadeiro colapso durante períodos de longa estiagem. A avaliação é de pesquisadores e autoridades ouvidas pela reportagem, que identificou em Pernambuco, Bahia e Alagoas uma realidade atenuada, porém, ainda bastante difícil para o sertanejo que enfrenta a maior seca das últimas décadas na região.
Na terça-feira passada, em visita a Fortaleza (CE), a presidente Dilma Rousseff afirmou que, graças às ações de seu governo e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "a face da miséria nessa região não foi acentuada tão perversamente pela estiagem".
Para o professor João Policarpo Lima, do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a aposentadoria rural e projetos como o Bolsa Família e o Bolsa Estiagem dão às famílias do campo, de fato, uma alternativa à produção agrícola quando as condições climáticas ficam desfavoráveis. Mas a quebra de safras e a morte de rebanhos provocam efeitos duradouros na economia local.
A estimativa é que a estiagem provocou no Estado governado por Eduardo Campos (PSB), possível presidenciável em 2014, a redução de 710 mil cabeças de rebanho bovino - sendo que 150 mil morreram e o restante foi abatido precocemente. A bacia leiteira estadual sofreu queda de 72% na sua produção.
Na passagem por Fortaleza, Dilma anunciou pacote de R$ 9 bilhões para medidas emergenciais de enfrentamento da seca no Nordeste. Porém, prefeitos de municípios do semiárido baiano e produtores agrícolas do Estado lamentaram o que chamaram de "superficialidade" das ações anunciadas pela presidente durante reunião da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Os administradores das cidades afetadas pela estiagem, liderados pela União dos Municípios da Bahia (UPB), resolveram criar um "Movimento dos Sem-Água" e prometem marchar até Brasília para cobrar "medidas objetivas e duradouras" para enfrentar a crise. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Acesso em 08/04/2013. Disponível em http://www.dgabc.com.br/News/6018781/seca-historica-destroi-economia-rural-no-nordeste.aspx
Taxa de câmbio: Entenda o que é e como ela afeta a economia do país

Carolina Mazzi

A crise econômica de 2009 continua a abalar a economia de diversos países europeus, principalmente os menos desenvolvidos, como Espanha e Grécia. A adoção das políticas de austeridade e o alto endividamento são apontados como alguns dos principais fatores para que as nações continuem mergulhadas em recessão. Porém, além dos motivos mais aparentes, especialistas indicam um outro fator determinante para que a recuperação europeia seja tão lenta.

Com a adoção do Euro em 2001, estes países abriram mão das moedas nacionais, passando a depender exclusivamente do Banco Central Europeu (BCE) para controlar a moeda única. Porém, o agravamento da crise demandou soluções e políticas diferentes para cada uma das nações e tornou quase impossível que uma atuação ampla do BCE pudesse ser bem sucedida.

Esta falta de autonomia monetária é considerada um dos principais pontos adversos na Zona do Euro, segundo economistas. No Brasil, a política cambial foi uma das formas que o governo encontrou para amenizar os problemas econômicos que assolaram os países desenvolvidos durante a crise. Assim, mesmo com o declínio da atividade econômica e das consequências devastadoras para a indústria nacional, os brasileiros não sentiram os reflexos da turbulência econômica em seus empregos ou renda tão fortemente.

Mas, o que é a taxa de câmbio? Como ela influencia a economia? O que causa as variações bruscas no preço do dólar? Quais as consequências dessas mudanças para a economia como um todo? Neste domingo (7), o Jornal do Brasil inicia uma série semanal de reportagens que procuram explicar, de forma didática, o que são alguns conceitos corriqueiramente usados na economia, mas pouco entendidos ou explicados. As reportagens serão publicadas todos os domingos de abril.

Taxa de câmbio

O economista Pedro Paulo Silveira, da CGD Securities Corretora, explica que a taxa de câmbio é o preço de trocas entre a moeda de dois países. "Em economia internacional utilizamos o dólar como moeda de referência, então, no Brasil, a taxa de câmbio é a taxa de troca entre o Real e o Dólar", conta. Em outras palavras, a taxa de câmbio determina quantos reais são necessários para se obter um dólar no mercado.

Taxa de câmbio afeta principalmente os preços praticados na economia
"A taxa de câmbio é tudo", afirma Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP). Ele explica que a taxa de câmbio afeta principalmente a inflação e os preços dentro da economia nacional, e isso vale mesmo para bens de consumo feitos dentro do país ou pequenos produtores rurais. Isto porque, além da quantidade de bens de consumo importados aqui dentro, muitas máquinas e matérias primas tem seus preços cotados na moeda dos Estados Unidos.


"Além desta presença massiva, há também o fato de que as matérias primas que são negociadas em todo o mundo, como petróleo, milho, soja, arroz, café, por exemplo, tem seus preços determinados em dólar. Ou seja, se há pouca oferta de algum destes produtos, o preço sobe internacionalmente e o supermercado brasileiro, mesmo que não afetado por esta queda na oferta, vai reajustar seus valores também", analisa.

Indústria

Um dos setores que são mais afetados pela variação do câmbio é a indústria. Se o dólar sobe, os preços dos produtos nacionais ficam mais baratos e dos importados mais caros, beneficiando a indústria nacional. O contrário também é verdadeiro. "Muita importação não é positivo, pois estamos colocando produtos de outras economias dentro do nosso país", explica.

Pedro Paulo Bastos, economista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), enfatiza a importância de se ter e manter um parque industrial forte no país. "O setor industrial é mais dinâmico e o emprego na indústria paga muito melhor. O mercado de trabalho brasileiro tem crescido pelo setor de serviços, onde há uma concentração do emprego que paga abaixo de mil, dois mil reais", explica.

Menos dólares, please

Para evitar a entrada massiva de dólares e, assim, manter a indústria competitiva, o governo adotou, nos últimos anos, diversas medidas de controle de capitais, principalmente o aumento de impostos sobre a entrada de capitais estrangeiros de curto prazo. No entanto, uma das variáveis que mais afetam a taxa de câmbio de um país é a taxa básica de juros.

Atualmente no patamar histórico de 7,25%, as consecutivas derrubadas da Selic nos últimos anos (já chegou a 50%) tiveram como um de seus objetivos diminuir o fluxo de dólares que entram na economia. "Se a taxa de juros que a gente pratica aqui é de 2% e a dos Estados Unidos de 0,25%, por exemplo, os investidores estrangeiros vão trazer todo o seu capital para cá, já que comprando títulos da dívida vão ser remunerados com juros muito mais altos", explica Dana.

Esta remuneração alta pode inclusive inibir o investimento, já que os investidores acabam optando pela remuneração à partir dos juros e não com o resultado de investimentos diretos em produção e inovação.

Porém, o dólar valorizado tem suas consequências pouco positivas, já que o aumento dos preços dos produtos importados acaba impactando na inflação e reduzindo o real poder de compra dos salários, que leva, a longo prazo, a uma pior distribuição de renda.

"Não há fórmula exata na economia, uma medida sempre tem um impacto positivo e outro negativo", conclui Paulo Gala, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP).

http://www.jb.com.br/economia/noticias/2013/04/07/taxa-de-cambio-entenda-o-que-e-e-como-ela-afeta-a-economia-do-pais/